Tóquio, 14 mar (EFE).- O Banco do Japão (BOJ, banco central japonês) anunciou nesta segunda-feira uma injeção recorde de 132 bilhões de euros para amenizar o impacto econômico do terremoto que devastou grande parte do país, fez a Bolsa de Tóquio despencar e paralisou parte da atividade industrial do arquipélago.
O índice Nikkei caiu 6,18% em seu primeiro pregão após o forte tremor e o tsunami que se seguiu a ele na última sexta-feira, além das explosões ocorridas na usina nuclear de Fukushima.
As catástrofes provocaram cortes no fornecimento de energia elétrica, nos serviços de comunicações e paralisaram a produção em algumas das principais fábricas de produtos de alta tecnologia do país. Com isso, o Nikkei chegou a seu nível mais baixo em quatro meses.
O BOJ se viu obrigado então a pôr em circulação um número recorde de títulos em um mesmo pregão, manteve as taxas de juros virtualmente em zero (de 0 a 0,1%) e ampliou em 5 trilhões de ienes (43,730 bilhões de euros) seu fundo de compra de ativos.
A injeção de liquidez de emergência chegou a 15 trilhões de ienes (131,859 bilhões de euros) até bater sua anterior marca de 4,5 trilhões de ienes (39,557 bilhões de euros, no câmbio atual) de outubro de 2008.
O governador do BOJ, Masaaki Shirakawa, considerou que o sistema financeiro japonês "sobreviveu ao impacto do devastador terremoto de sexta-feira", mas reiterou que, no atual cenário, "a incerteza é alta".
Muitas das grandes companhias do Japão reduziram ou inclusive interromperam a atividade em suas fábricas, em parte pelo apelo do governo em prol da redução de consumo de energia elétrica após os problemas em algumas usinas nucleares e os previstos blecautes.
A Toyota, maior empresa do Japão, suspendeu até a próxima quarta-feira a atividade em todas suas fábricas no país, o que reduzirá nestes três dias sua produção em 40 mil veículos. A queda nas ações da montadora nesta segunda-feira foi de 7,19%.
A Suzuki também interromperá suas atividades em todo o Japão até quarta, enquanto a Honda estendeu sua atual paralisação até o próximo domingo.
Essas empresas, que fazem parte de um setor que representa quase um quinto do PIB japonês, previam problemas no recebimento de peças por parte de seus fornecedores.
A indústria de tecnologia e eletrônica protagonizou, ao mesmo tempo, as maiores interrupções no Japão. Sony, Mitsubishi Electric e Toshiba também suspenderam hoje, em maior ou menor grau, suas atividades em algumas fábricas.
Os papeis da Tokyo Electric Power (Tepco), empresa que opera a usina nuclear de Fukushima, tiveram queda de 23,57% no mercado japonês.
O setor de seguradoras e o de combustíveis fósseis tiveram as maiores baixas no pregão de Tóquio, enquanto a única indústria que se livrou das perdas foi a da construção.
As autoridades japonesas fizeram um grande esforço para evitar uma sangria maior em sua economia e, na véspera do primeiro pregão após o grande terremoto, o ministro da Economia, Kaoru Yosano, garantiu que lutará contra os movimentos especulativos.
O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, informou hoje que serão destinados 30,2 bilhões de ienes (264 milhões de euros) para fornecimento de comida e atendimento médico nas áreas mais afetadas pelos desastres.
A pior crise do Japão desde a Segunda Guerra Mundial, como a definiu o primeiro-ministro, Naoto Kan, pode acarretar perdas superiores a US$ 100 bilhões para o país, segundo analistas dos Estados Unidos. EFE.


